Mosquitos
Família Culicidae
Insetos hematófagos. Em Portugal, o mosquito-comum e o mosquito-tigre-asiático (espécie invasora em expansão desde 2017) são as espécies relevantes em meio urbano. O mosquito-tigre é vetor potencial de dengue, zika e chikungunya.
- Nível de risco
- Médio (potencial vetor)
- Época de atividade
- Maio a outubro
Mosquitos em Portugal: o que mudou em 2017
Durante décadas, o mosquito em Portugal foi sinónimo de incómodo de verão, sem mais. As espécies endémicas (mosquito-comum Culex pipiens, principalmente) provocam picadas irritantes mas raramente transmitem doenças graves a humanos no nosso clima.
Em setembro de 2017, foi detetado pela primeira vez em território continental português o mosquito-tigre-asiático (Aedes albopictus), espécie invasora originária do sudeste asiático. Em 2024, está estabelecido em vários concelhos do norte, centro e Algarve. Esta espécie tem três características que mudam o jogo:
- Pica de dia, ao contrário do mosquito-comum (noturno).
- Adapta-se a meio urbano denso, vasos, pratos de vasos, sarjetas, baldes esquecidos.
- É vetor competente de dengue, zika e chikungunya, doenças virais que, embora não endémicas em Portugal, podem ser importadas por viajantes e iniciar surtos locais.
Como identificar o mosquito-tigre
Distinguir o mosquito-tigre do mosquito-comum é simples e útil, só assim se pode reportar à rede de vigilância nacional REVIVE (DGS/INSA).
- Tamanho pequeno (4-5 mm, mais pequeno que o mosquito-comum).
- Corpo preto com riscas brancas distintas nas pernas e abdómen, daí o nome "tigre".
- Linha branca contínua ao longo do tórax (sinal diagnóstico mais fiável).
- Pica durante o dia, especialmente ao início da manhã e ao fim da tarde.
Se suspeitar de presença, pode reportar e enviar foto à plataforma do projeto Mosquito Web (mosquitoweb.pt) ou ao programa REVIVE.
Onde se reproduzem (e porque o seu jardim importa)
Os mosquitos-tigre não voam longe, raio de ação de 100 a 200 metros. Isto significa uma coisa importante: se há mosquitos-tigre a picar no seu quintal, eles estão a reproduzir-se a menos de 200 metros, muito provavelmente em sua casa ou em casa de vizinhos.
Pontos de reprodução típicos:
- Pratos de vasos com água parada.
- Vasos vazios apanhados na chuva.
- Pneus velhos a céu aberto.
- Sarjetas entupidas com folhas.
- Caleiras de telhado obstruídas.
- Bebedouros de animais esquecidos.
- Garrafas, latas e plásticos no exterior.
- Tampas de garrafa, vasilhas e qualquer recipiente que retenha um centímetro de água.
Uma fêmea pode pôr 100 ovos em apenas uma colher de sopa de água. Em 8 a 12 dias, está pronta uma nova geração de adultos. O controlo eficaz começa por eliminar pontos de água parada.
Riscos para a saúde
Mosquito-comum (Culex): principalmente incómodo. Em casos raros, pode transmitir vírus do Nilo Ocidental (West Nile Virus), em Portugal documentado pontualmente, sobretudo no Alentejo.
Mosquito-tigre (Aedes albopictus): capaz de transmitir, em condições adequadas, dengue, zika, chikungunya e febre amarela. Atualmente, nenhuma destas doenças é endémica em Portugal continental. Mas casos importados existem todos os anos (viajantes regressados de zonas tropicais), e a presença de Aedes albopictus cria condições para um eventual surto local.
A vigilância é ativa: a DGS e o INSA mantêm uma rede de monitorização em todo o território. Em 2024 não foram registadas transmissões locais em Portugal continental, mas a Madeira teve um surto de dengue em 2012/2013 (com Aedes aegypti, espécie ainda mais perigosa) que ilustra o risco real.
Tratamento profissional em ambientes residenciais e empresariais
O controlo profissional de mosquitos é principalmente focado em larvicidas e maneio ambiental, não em adultos. Os adultos voam, dispersam e regressam; eliminar pontos de reprodução é o que dá resultado duradouro.
Protocolo típico:
1. Inspeção: identificar todos os pontos com água parada num raio de 200 metros, incluindo zonas exteriores ao terreno (acessível, vizinhos).
2. Eliminação de focos: remover água parada, virar recipientes, desentupir sarjetas.
3. Tratamento larvicida em pontos de água que não podem ser eliminados (poços decorativos, tanques, caleiras crónicas) com Bti (Bacillus thuringiensis israelensis), bactéria que mata larvas e é segura para humanos, animais, peixes e abelhas.
4. Tratamento adulticida em casos específicos (eventos exteriores, casamentos, festas) com produto residual em vegetação onde os adultos descansam.
5. Plano de manutenção em empresas com responsabilidade ambiental, hotéis, restaurantes com esplanadas, parques.
Prevenção: o que pode fazer já
- Inspecionar o quintal semanalmente em maio-outubro. Eliminar qualquer recipiente com água parada.
- Trocar a água de bebedouros de animais e jarras de exterior a cada 2-3 dias.
- Furar pneus velhos para não acumularem água.
- Manter caleiras e sarjetas desentupidas.
- Cobrir piscinas em desuso ou tratá-las quimicamente.
- Usar mosquiteiros em janelas durante a noite (mosquito-comum) e durante o dia (mosquito-tigre).
- Repelentes com DEET, IR3535 ou icaridina para uso pessoal, eficazes contra ambas as espécies.
- Em zonas de risco confirmado, usar roupa de cor clara, comprida, durante atividades exteriores.
Perguntas frequentes sobre mosquitos
Vi um mosquito-tigre no meu quintal. Preciso fazer algo já?
Os repelentes ultrassónicos funcionam?
Posso apanhar dengue ou zika em Portugal?
Tem este problema em casa ou na empresa?
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Outras pragas urbanas
Formigas
Insetos sociais que vivem em colónias com milhares de indivíduos. Em ambiente urbano, as formigas-do-açúcar e a formiga-argentina são as espécies mais frequentes em casas e estabelecimentos alimentares de Portugal.
Ratos e ratazanas
Roedores urbanos responsáveis por danos materiais graves, contaminação de alimentos e transmissão de doenças. Em Portugal, as espécies dominantes são a ratazana-castanha (esgotos e pisos térreos), o rato-preto (telhados e sótãos) e o murganho doméstico.
Pulgas
Insetos hematófagos que parasitam mamíferos. Em ambiente urbano português, a pulga-do-gato é a espécie dominante, parasitando cães, gatos e humanos. Surtos em casas que estiveram vazias por semanas são um clássico.
Aranhas
Aracnídeos predadores. Em Portugal, a maioria é inofensiva e útil (controlam insetos), mas a sua presença em casa causa desconforto e teias acumuladas afetam estabelecimentos comerciais.