Pulgas

Pulgas

Ctenocephalides felis, Ctenocephalides canis

Insetos hematófagos que parasitam mamíferos. Em ambiente urbano português, a pulga-do-gato é a espécie dominante, parasitando cães, gatos e humanos. Surtos em casas que estiveram vazias por semanas são um clássico.

Nível de risco
Médio
Época de atividade
Todo o ano em interior aquecido, pico no verão e outono
Tratamento profissional
Ver serviço da Desin

Conhecer a pulga-do-gato

Ao contrário do que o nome sugere, a pulga-do-gato (Ctenocephalides felis) é a espécie dominante tanto em cães como em gatos em Portugal, corresponde a mais de 95% dos casos clínicos veterinários. A pulga-do-cão (C. canis) é hoje rara em ambiente doméstico português.

Mede 2 a 3 mm, é castanha escura, achatada lateralmente (para se mover entre pelos) e tem pernas posteriores poderosas que lhe permitem saltar até 30 cm na vertical, o equivalente humano a saltar 90 metros.

Sinais de infestação em casa

  • Picadas em pernas e tornozelos, característica clássica em humanos, em linhas ou agrupadas, com ponto vermelho central rodeado de halo claro.
  • Animal a coçar-se de forma persistente, sobretudo na base da cauda e na zona inguinal.
  • Pontos pretos no pelo do animal ("fezes de pulga"), pequenos grãos que, esmagados num papel branco humedecido, ficam vermelhos (é sangue digerido).
  • Pulgas visíveis a saltar em tapetes, sofás e camas de animais, sobretudo quando se mexe nesses pontos.
  • Reaparecimento após casa vazia, sinal típico do ciclo de vida explicado abaixo.

O mistério da casa vazia: porque é que reaparecem

Um dos cenários mais frequentes: regressa-se de férias após 3 semanas com a casa fechada e, à entrada, dezenas de pulgas saltam para as pernas. Como?

O ciclo das pulgas tem 4 fases: ovo, larva, pupa e adulto. Os ovos e larvas estão presentes em qualquer casa com animais, escondidos em alcatifas, frestas de soalho e estofos. Quando a pulga adulta morre, a pupa fica em dormência, à espera de vibração, calor ou CO2, sinais de que há um hospedeiro disponível.

Na casa vazia, milhares de pupas acumulam-se em dormência. Quando alguém regressa, o calor corporal, as vibrações dos passos e o CO2 da respiração ativam a eclosão simultânea de muitas pupas. É por isso que a infestação parece "vir do nada".

Riscos para humanos e animais

  • Reações alérgicas (DAPP, Dermatite Alérgica à Picada de Pulga): principal causa de dermatite em cães e gatos em Portugal. Coceira intensa, perda de pelo, lesões secundárias por automutilação.
  • Anemia em animais jovens com infestações severas (cada pulga pode ingerir 15 vezes o seu peso em sangue por dia).
  • Transmissão de ténias (Dipylidium caninum) quando o animal engole uma pulga ao limpar-se.
  • Picadas humanas: prurido intenso, possível infeção secundária por coçar. Reações alérgicas em pessoas sensibilizadas.
  • Em casos raros, transmissão de tifo murino e outras doenças.

Tratamento integrado: ambiente + animal

Tratar só o animal não resolve. Apenas 5% das pulgas estão sobre o animal a um determinado momento, os outros 95% (ovos, larvas, pupas e adultos em busca de hospedeiro) estão no ambiente: tapetes, sofás, camas, frestas de soalho, jardim.

Um tratamento eficaz combina três frentes:

1. Tratamento veterinário do animal com antiparasitário sistémico ou tópico (responsabilidade do veterinário, não da empresa de pragas).
2. Tratamento ambiental da casa com pulverização profissional de inseticida com regulador de crescimento (IGR), mata os adultos e impede o desenvolvimento das fases imaturas.
3. Tratamento mecânico: aspiração intensiva (incluindo bordas de tapetes, sob móveis, junto a rodapés) imediatamente antes da aplicação química. A vibração do aspirador faz eclodir pupas em dormência, que são depois eliminadas pelo produto.

Prevenção

  • Manter os animais com tratamento antiparasitário regular (consultar veterinário sobre comprimidos mensais ou pipetas).
  • Lavar com regularidade a cama do animal a temperatura igual ou superior a 60°C.
  • Aspirar tapetes, alcatifas e estofos pelo menos uma vez por semana, esvaziando o aspirador imediatamente.
  • Cortar relva alta no jardim e em zonas frequentadas por animais.
  • Verificar e tratar animais novos antes de os introduzir em casa.
  • Em casas com infestação prévia que vão ficar vazias por mais de duas semanas, tratar preventivamente antes do regresso.

Perguntas frequentes sobre pulgas

Posso ter pulgas em casa sem ter animais?
Sim, em três cenários: animais que entraram antes (do anterior morador); casa de férias após período fechado (eclosão de pupas dormentes); ou contaminação por um animal de visita. As pulgas podem sobreviver até 2 anos em forma de pupa.
Os bombas inseticidas (foggers) de supermercado resolvem?
Quase nunca. Atingem apenas pulgas adultas em zonas abertas, não chegam às pupas escondidas em frestas e tapetes, e o efeito dura poucas horas. Em duas semanas, a infestação regressa com a eclosão de novas pulgas.
Quanto tempo após o tratamento posso voltar para casa?
Tipicamente 2 a 4 horas após a aplicação, com janelas abertas. Os produtos profissionais usados são seguros para residência logo após secagem das superfícies.

Tem este problema em casa ou na empresa?

Diagnóstico técnico + garantia técnica condicionada (15 a 60 dias conforme a praga).

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