Aranhas
Ordem Araneae
Aracnídeos predadores. Em Portugal, a maioria é inofensiva e útil (controlam insetos), mas a sua presença em casa causa desconforto e teias acumuladas afetam estabelecimentos comerciais.
- Nível de risco
- Baixo
- Época de atividade
- Final do verão e outono (setembro a novembro)
- Tratamento profissional
- Ver serviço da Desin
As aranhas em Portugal não são o que pensa
Existem mais de 800 espécies de aranhas em Portugal continental. Destas, apenas duas têm veneno com relevância médica para humanos: a viúva-negra-europeia (Latrodectus tredecimguttatus) e a aranha-violino (Loxosceles rufescens), ambas raríssimas em meio urbano e que evitam o contacto humano.
As aranhas que aparecem dentro de casa em Portugal pertencem a espécies inofensivas: aranha-doméstica-comum (Tegenaria domestica), aranha-saltadora (família Salticidae), aranha-de-pernas-longas (Pholcus phalangioides, a que faz aquelas teias caóticas nos cantos do teto) e aranha-do-jardim (Araneus diadematus). Nenhuma destas representa risco para humanos.
Porque aparecem em casa
As aranhas não procuram pessoas, procuram presas. Onde há mosquitos, moscas, traças ou pequenos insetos, vão aparecer aranhas. A presença delas é normalmente um indicador de que existem outros insetos no espaço.
Fatores que aumentam a presença:
- Iluminação exterior, atrai mosquitos e moscas, e as aranhas seguem.
- Vegetação encostada à fachada, pontes naturais para o interior.
- Caves, sótãos e garagens, ambientes pouco perturbados onde as teias se mantêm.
- Final do verão e outono, pico reprodutivo, mais aranhas adultas visíveis.
Como identificar uma infestação real
Ver uma ou duas aranhas em casa não é infestação. Sinais a que vale a pena prestar atenção:
- Teias frequentes em vários pontos da casa, refeitas dias depois de removidas.
- Casulos de ovos (pequenas esferas de seda) em locais escondidos, atrás de móveis, em rodapés, dentro de armários pouco usados.
- Aumento súbito de aranhas a partir de setembro.
- Em empresas: teias acumuladas em prateleiras, corredores de armazém ou montras (impacto comercial direto).
Riscos: o que é mito e o que é facto
Mito: "as aranhas saltam para a cara das pessoas a dormir". Falso, as aranhas evitam ativamente humanos e movem-se para longe quando detetam vibração ou calor.
Mito: "engolimos várias aranhas por ano enquanto dormimos". Falso, e biologicamente improvável.
Facto: a maioria das picadas atribuídas a aranhas em Portugal são, na verdade, picadas de outros artrópodes (percevejos, pulgas, mosquitos) ou pequenas infeções cutâneas. Picadas reais de aranha em Portugal são raras e, quando ocorrem, causam reação local ligeira similar à picada de mosquito.
Risco real para empresas: presença de teias em estabelecimentos comerciais transmite imagem de descuido e, em zonas alimentares, pode ser não-conformidade.
Tratamento profissional perimétrico
O controlo de aranhas em ambiente urbano não passa por matar aranhas individualmente, é ineficaz e desnecessário. A abordagem profissional combina duas frentes:
1. Reduzir as presas: tratamento de pragas de insetos voadores e rastejantes da habitação. Sem mosquitos nem moscas, não há razão para as aranhas ficarem.
2. Tratamento perimétrico: aplicação de inseticida residual com efeito repelente nos pontos de entrada exteriores, beirais, contornos de janelas, contornos de portas, pontos de entrada de tubagens. Cria barreira que dura várias semanas e desencoraja novas aranhas.
A remoção de teias acumuladas é feita mecanicamente antes da aplicação. Em zonas elevadas (beirais, falsos tetos), usamos varas extensíveis com escova de cerdas suaves.
Prevenção doméstica simples
- Mudar lâmpadas exteriores para luz amarela ou LED de baixa atração de insetos, corta a cadeia alimentar das aranhas.
- Manter vegetação a pelo menos 50 cm da fachada.
- Selar fendas em portas e janelas, reparar redes mosquiteiras rasgadas.
- Aspirar regularmente cantos do teto, atrás de móveis e em zonas pouco perturbadas.
- Em garagens, caves e sótãos: arrumar e manter os espaços limpos. Aranhas preferem desordem e poeira.
- Não acumular caixas de cartão, abrigo perfeito para casulos de ovos.
Perguntas frequentes sobre aranhas
Devo matar a aranha que vejo em casa?
Há aranhas perigosas em Portugal?
Os inseticidas em spray funcionam contra aranhas?
Tem este problema em casa ou na empresa?
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Outras pragas urbanas
Formigas
Insetos sociais que vivem em colónias com milhares de indivíduos. Em ambiente urbano, as formigas-do-açúcar e a formiga-argentina são as espécies mais frequentes em casas e estabelecimentos alimentares de Portugal.
Ratos e ratazanas
Roedores urbanos responsáveis por danos materiais graves, contaminação de alimentos e transmissão de doenças. Em Portugal, as espécies dominantes são a ratazana-castanha (esgotos e pisos térreos), o rato-preto (telhados e sótãos) e o murganho doméstico.
Pulgas
Insetos hematófagos que parasitam mamíferos. Em ambiente urbano português, a pulga-do-gato é a espécie dominante, parasitando cães, gatos e humanos. Surtos em casas que estiveram vazias por semanas são um clássico.
Baratas (visão geral)
Insetos noturnos das três espécies urbanas relevantes em Portugal: barata-alemã, barata-americana e barata-oriental. Para informação detalhada sobre a mais problemática, ver a página dedicada à barata-alemã.