Carraças
Família Ixodidae
Aracnídeos hematófagos que parasitam mamíferos. Em Portugal, principalmente no centro e sul, transmitem várias doenças incluindo a Febre Escaro-Nodular. Picam humanos sobretudo na primavera e verão.
- Nível de risco
- Médio a elevado (vetor de doenças)
- Época de atividade
- Primavera e verão (abril a setembro)
O que são as carraças e onde se encontram em Portugal
As carraças (família Ixodidae) são aracnídeos hematófagos, parentes próximas das aranhas e dos ácaros. Em Portugal, são endémicas em todo o território, com maior densidade no centro e sul, em zonas de mato, pastagens, terrenos baldios e parques periurbanos.
Espécies de relevância médica em Portugal:
- Rhipicephalus sanguineus, "carraça-do-cão". A mais comum em meio urbano e periurbano. Vive frequentemente em canis, jardins e quintais com cães.
- Ixodes ricinus, carraça-de-castanheiro. Comum no norte e centro do país, em florestas e zonas de pastagem.
- Hyalomma marginatum, carraça-de-pernas-listadas. Em expansão no sul de Portugal, vetor potencial de Febre Hemorrágica da Crimeia-Congo (já documentada em Espanha).
Como uma carraça acaba na sua casa
As carraças não voam nem saltam. Praticam o que os entomologistas chamam de "questing", sobem a uma folha, pedra ou erva alta e estendem as pernas dianteiras, à espera de que um hospedeiro (humano ou animal) passe. Detetam vibração, CO2 e calor corporal.
Vias típicas de entrada em casa:
- Em animais domésticos que vão a passeios, jardins ou férias rurais.
- Em pessoas que regressam de caminhada, jardinagem ou actividades ao ar livre.
- Em jardins próprios infestados (especialmente se houver vegetação alta, animais selvagens de passagem, ouriços, ratos do campo, ou cães de visita).
Uma fêmea cheia de sangue pode pôr até 5000 ovos em frestas de paredes, junto a rodapés ou em pavimentos de canis. É a forma como uma única carraça inicia uma infestação doméstica.
Doenças transmitidas
As carraças são, depois dos mosquitos, os vetores de doenças mais relevantes do mundo. Em Portugal, as doenças documentadas com transmissão por carraça incluem:
- Febre Escaro-Nodular (Rickettsia conorii), a mais comum em Portugal. Caracteriza-se por uma lesão escura no local da picada (a chamada "mancha negra"), febre alta, dor de cabeça intensa e erupção cutânea. Tratável com antibiótico, mas pode ser grave em pessoas com comorbilidades.
- Doença de Lyme (Borrelia burgdorferi), menos comum em Portugal que no centro/norte da Europa, mas existente. Manifesta-se com eritema migrans (mancha em forma de alvo no local da picada).
- Febre Q (Coxiella burnetii), transmitida por carraças e também por inalação.
- Febre Recorrente, rara mas documentada.
Nem todas as carraças estão infetadas. Mas qualquer picada justifica vigilância médica nos 15 a 30 dias seguintes.
O que fazer se encontrar uma carraça presa à pele
Atuar com cuidado, extração mal feita aumenta o risco de transmissão.
- Não queimar com isqueiro, não aplicar óleo, álcool ou vaselina. Estas técnicas obsoletas fazem a carraça regurgitar para a ferida, aumentando o risco de infeção.
- Usar pinça de pontas finas (ou pinça específica para carraças, vendida em farmácia).
- Pegar a carraça o mais próximo possível da pele, na cabeça.
- Puxar perpendicularmente à pele, com força contínua e estável, sem torcer.
- Desinfetar o local com álcool ou betadine.
- Guardar a carraça num saco fechado, em caso de aparecimento de sintomas, pode ser analisada.
- Vigiar o local da picada e o estado geral durante 30 dias. Em caso de febre, dor de cabeça ou erupção, consultar médico.
Tratamento profissional em casas e quintais infestados
Quando há infestação ambiental, não apenas carraças trazidas pelo cão, mas carraças visíveis no chão, paredes, jardim, o tratamento profissional combina:
1. Tratamento do animal com antiparasitário sistémico, sempre via veterinário.
2. Tratamento ambiental interior: pulverização com inseticida residual em zonas de descanso do animal, frestas de rodapé, juntas de pavimentos e pontos de acumulação.
3. Tratamento de jardim: aplicação de produto específico em zonas de vegetação rasteira, canis, pontos onde o cão se deita ao ar livre. Repetição obrigatória após 21 dias para apanhar o segundo ciclo.
4. Maneio do espaço: cortar relva alta, retirar amontoados de folhas, vedar acesso de animais selvagens.
Prevenção pessoal
- Durante atividades ao ar livre (caminhada, jardinagem, piqueniques): calças compridas dentro das meias, mangas compridas, repelente com DEET ou IR3535.
- Roupa clara para facilitar a deteção visual.
- Após o regresso, inspeção completa do corpo (axilas, virilha, atrás dos joelhos, couro cabeludo, atrás das orelhas, locais favoritos).
- Duche completo nas duas horas seguintes, pode remover carraças ainda não fixadas.
- Inspecionar animais domésticos depois de cada passeio, especialmente em primavera e verão.
- Manter relva curta no jardim e cortar vegetação rasteira na periferia.
Perguntas frequentes sobre carraças
É verdade que as carraças saltam das árvores para as pessoas?
Encontrei uma carraça em casa mas não tenho animais. É possível?
O tratamento de carraças é seguro para os animais e crianças?
Tem este problema em casa ou na empresa?
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Outras pragas urbanas
Formigas
Insetos sociais que vivem em colónias com milhares de indivíduos. Em ambiente urbano, as formigas-do-açúcar e a formiga-argentina são as espécies mais frequentes em casas e estabelecimentos alimentares de Portugal.
Ratos e ratazanas
Roedores urbanos responsáveis por danos materiais graves, contaminação de alimentos e transmissão de doenças. Em Portugal, as espécies dominantes são a ratazana-castanha (esgotos e pisos térreos), o rato-preto (telhados e sótãos) e o murganho doméstico.
Pulgas
Insetos hematófagos que parasitam mamíferos. Em ambiente urbano português, a pulga-do-gato é a espécie dominante, parasitando cães, gatos e humanos. Surtos em casas que estiveram vazias por semanas são um clássico.
Aranhas
Aracnídeos predadores. Em Portugal, a maioria é inofensiva e útil (controlam insetos), mas a sua presença em casa causa desconforto e teias acumuladas afetam estabelecimentos comerciais.